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Isto é uma espécie de portofolio ;P

Trilobites março 23, 2017

Filed under: Geologia,G_PALEONTOLOGIA,Uncategorized — alemdasaulas @ 21:36
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Fonte: http://www.superinteressante.pt/index.php/natureza/artigos/209-no-rasto-das-trilobites

No rasto das trilobites

altUma viagem aos mares do Paleozóico

As trilobites surgiram, viveram e extinguiram-se sem deixar quaisquer descendentes muito antes de o Homem ter surgido na Terra. O biólogo Jorge Nunes segue a pistas destes artrópodes marinhos e desvenda algumas das suas inúmeras curiosidades.

As trilobites, parentes afastados dos crustáceos actuais, foram os principais representantes dos artrópodes (grupo a que também pertencem, por exemplo, os caranguejos e os insectos) nos mares do Paleozóico (há 540 a 250 milhões de anos). Dominaram todos os ambientes marinhos, de uma forma similar ao domínio exercido pelos dinossauros durante o Jurássico e o Cretácico, e eram de tal modo abundantes que esse período de tempo geológico também é denominado como “Era das Trilobites”.

Esses organismos surgiram do Big Bang biológico (explosão de vida, com variadas formas) que ficou conhecido por “Explosão Câmbrica” e que correspondeu a uma enorme diversificação evolutiva dos animais, em que a maioria dos filos actuais e outros extintos surgiram. Tiveram uma ampla distribuição geográfica e uma pequena repartição estratigráfica, isto é, cada espécie teve um período de vida relativamente curto, sendo por isso considerados bons fósseis de idade, uma vez que permitem datar as rochas onde se encontram.

Atingiram o seu apogeu durante o Ordovícico (500 a 435 M.a.), quando terão existido 63 famílias agrupadas em oito ordens, entrando em progressivo declínio que culminou com o seu desaparecimento no final do Pérmico (280 a 230 M.a.), altura em que ocorreu uma extinção em massa, a maior da história da vida na Terra, em que terão desaparecido cerca de 90 por cento das espécies marinhas e terrestres.

altCriaturas enigmáticas

Pensa-se que terão existido cerca de 15 mil espécie de trilobites. Contudo, uma vez que constituem um grupo de artrópodes marinhos completamente extinto, se quisermos ter uma ideia do seu aspecto teremos de nos deslocar a um oceanário para contemplar o caranguejo-ferradura (Limulus sp.), o organismo actual (vive nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico) mais parecido com uma trilobite. Trata-se de um crustáceo que é considerado um “fóssil vivo”, uma vez que quase nada evoluiu quando comparado com o seu registo fóssil do Triássico (230 a 195 M.a.), período em que se julga que terá aparecido na Terra.

No entanto, apesar das parecenças entre ambos, muitas são as diferenças que os distinguem, pelo que, se pretendemos conhecer verdadeiramente as famosas trilobites, não nos resta outra alternativa que não seja vasculhar as jazidas fossilíferas à cata dos seus vestígios, esperando que eles nos dêem pistas sobre estas misteriosas criaturas. Neste capítulo, Portugal está bem servido.

As trilobites, cuja designação resulta de o seu corpo estar segmentado longitudinalmente em três lobos, também apresentam uma nítida divisão transversal em três partes articuladas entre si (céfalo, tórax e pigídio). O lobo central continha a maioria dos órgãos vitais associados aos sistemas alimentar e nervoso, enquanto os laterais ofereciam protecção aos apêndices ventrais e a órgãos relacionados com o sistema circulatório. O facto de os segmentos torácicos serem articulados permitia que se enrolassem como resposta a alterações bruscas no meio ou, possivelmente, quando pressentiam algum perigo, como acontece na actualidade com o bicho-de-conta.

As suas carapaças rígidas mineralizadas ofereciam protecção mas obrigavam, de modo similar ao que se verifica com os artrópodes actuais que possuem exosqueletos quitinosos, a mudas regulares, para permitir o crescimento dos respectivos inquilinos. Sob as suas carapaças couraçadas, escondiam-se corpos moles, dotados de numerosos pares de patas, que só muito raramente ficaram fossilizados.

O tamanho das trilobites é muito variável, podendo ir de alguns milímetros até várias dezenas de centímetros, embora na maior parte dos casos apresentem um comprimento que varia entre os três e os dez centímetros. Apesar de serem muito raros os espécimes com mais de 30 centímetros, em Portugal, mais precisamente nas ardósias do Ordovícico com 465 milhões de anos extraídas na Pedreira do Valério em Canelas (Arouca), espécimes com essas dimensões são relativamente comuns.

São oriundas dessa jazida fossilífera as maiores trilobites do mundo, que atingem cerca de 70 cm (Ogyginus forteyi). Existe mesmo um exemplar incompleto com 21 cm, da espécie Hungioides bohemicus, em que a reconstrução do resto do animal permitiu deduzir que teria aproximadamente 90 centímetros de comprimento. Este gigantismo nas trilobites de Canelas ainda constitui um verdadeiro mistério, dado que as mesmas espécies surgem noutras localizações da Península Ibérica com dimensões bem mais modestas.

Para além das deformações provocadas pela tectónica (forças que actuam no interior da Terra), que terão originado o achatamento das carapaças, pensa-se que os tamanhos XL poderão ter sido uma adaptação às baixas temperaturas da água, tal como acontece nas faunas boreais de artrópodes marinhos actuais, dado que Canelas corresponderia à margem de um grande paleocontinente que no Ordovícico se localizava no pólo sul (a região correspondente à actual Península Ibérica situava-se na plataforma continental desse continente).

Estes organismos, que se reproduziam através de ovos, possuíam antenas e um par de apêndices locomotores articulados por segmento, localizados na face ventral. A maioria tinha olhos compostos por várias lentes mais ou menos desenvolvidos, de natureza idêntica à dos insectos actuais, existindo no entanto algumas espécies cegas, como acontecia com a Placoparia sp., relativamente comum em algumas jazidas fossilíferas portuguesas.

altA rota das trilobites

Em diferentes lugares, as camadas rochosas fazem lembrar páginas petrificadas de gigantescos livros onde se pode ler a história da vida na Terra e conhecer as estórias do seu passado mais remoto. Dado que chegámos tarde para podermos observar as trilobites no seu ambiente natural, resta-nos procurar esses lugares e escutar com atenção os segredos que podem revelar-nos sobre os mares primitivos onde elas reinavam. Ao calcorrear o país num memorável roteiro geológico que permite fazer uma viagem ao passado recuando mais de 250 milhões de anos, podem encontrar-se vestígios diversificados dessas criaturas, desde somatofósseis (que correspondem a partes do corpo fossilizadas) até icnofósseis (indícios da sua actividade vital, como pistas de locomoção, fezes fossilizadas, ninhos com ovos, etc.).

Curiosamente, apesar de estarmos a falar de animais marinhos, as principais jazidas fossilíferas portuguesas do Paleozóico localizam-se longe do mar, algumas a centenas de quilómetros do oceano. Isto explica-se porque esses lugares, terrestres na actualidade, estiveram submersos pelas águas costeiras e fizeram parte do fundo marinho onde se formaram as rochas que actualmente podemos contemplar à superfície e que guardam nos seus estratos valiosos tesouros: os fósseis de trilobites e de muitos outros habitantes dos mares paleozóicos.

Para escolher o rumo e descobrir onde aportar, basta consultar a Carta Geológica de Portugal e procurar os terrenos da Era Paleozóica. Como o objectivo é achar os vestígios das trilobites, será importante saber que em Portugal estes são mais frequentes em rochas dos períodos Câmbrico, Ordovícico e Silúrico. Do Câmbrico, destaca-se Vila Boim, próximo de Elvas; do Ordovícico, Valongo e Arouca, nas proximidades do Porto, e Penha Garcia, no concelho de Idanha-a-Nova; e do Silúrico, Sazes de Lorvão, nas imediações de Penacova.

Dado que nos últimos anos se tem assistido a um grande incremento das actividades de protecção e divulgação do património geológico, alguns desses locais, através das suas autarquias em parceria com instituições de ensino superior, investiram em projectos de conservação e promoção da herança geológica, tendo já sido agraciados com o Prémio de Geoc­onservação (Penha Garcia em 2004, Valongo em 2005 e Arouca em 2008), ou estando inseridos na Rede Europeia de Geoparques: Penha Garcia no Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, desde 2006, e Canelas no Geoparque de Arouca, desde 2009.

Uma viagem ao passado

Embora o Câmbrico de Vila Boim seja notável pela sua fauna de trilobites, a ausência de estruturas de apoio aos visitantes torna difícil aos mais leigos a descoberta do seu património paleontológico. Assim, será recomendável seguir a peugada dos prémios de Geoconservação, onde qualquer curioso, mesmo que pouco letrado em geologia, poderá encontrar sempre, nas estruturas de acolhimento e informação ao público, quem o guie na viagem ao Paleozóico e o auxilie na observação e interpretação das jazidas fossilíferas, verdadeiras janelas abertas para um passado longínquo.

Começando esta viagem através dos tempos geológicos pelo magnífico canhão fluvial do rio Ponsul, em Penha Garcia, descobrem-se, brotando das fragas quartzíticas, as famosas “cobras pintadas”, que fazem parte da memória colectiva local desde tempos imemoriais. Neste lugar recôndito, a mais de 160 quilómetros do oceano, considerado como uma das mais importantes jazidas paleontológicas do Paleozóico português, os fósseis esqueléticos (somatofósseis) são muito raros, pelo que os icnofósseis, que correspondem a vestígios de actividades paleobiológicas de invertebrados, são tudo o que resta dos habitantes dos mares primitivos.

As “cobras pintadas”, como lhes chama o povo devido a fazerem lembrar curiosas esculturas de cobras petrificadas, além de terem servido para alimentar o lendário da região, desempenharam um papel muito importante no conhecimento do modo de formação das pistas do tipo Cruziana. Estas são icnofósseis de alimentação das trilobites e de outros artrópodes morfologicamente similares e correspondem a sulcos essencialmente horizontais, bilobados, com uma crista central mais ou menos definida, apresentando intricados padrões ornamentais de estrias. Para percebermos a sua formação, torna-se fundamental regressar ao passado e imaginarmos uma trilobite a alimentar-se de matéria orgânica contida nos sedimentos, escavando e revolvendo o fundo marinho e deixando atrás de si rastos bem delimitados, que são o resultado da escavação do substrato por acção dos apêndices locomotores.

Em Penha Garcia, as pistas cruzianas são salientadas pela sua particular diversidade, pelas dimensões ímpares atingidas por algumas estruturas e pela preservação delicada, muito perfeita e rara, aspectos que tornam este geo­monumento um parque icnológico único a nível nacional e singular no contexto mundial. Estão de tal modo fossilizadas que em determinados momentos do dia, com luz rasante, é possível observar até as mais delicadas marcas dos apêndices locomotores das trilobites que os produziram. Assim, não é de estranhar que alguns dos exemplares de Cruziana encontrados nestas paragens figurem entre os icnofósseis mais bem preservados que se conhecem a nível mundial.

Fazendo eco das palavras de Carlos Carvalho, geólogo da Faculdade de Ciências de Lisboa, os icnofósseis de Penha Garcia “permitem determinar o modo de vida das comunidades bióticas e suas adaptações às variações ambientais, como sejam as modificações da composição do substrato”. Além disso, a granulometria e o grau de consolidação dos sedimentos, em íntima relação com as peculiares condições paleoambientais quando os fundos marinhos fervilhavam de vida, possibilitam igualmente a observação dos “órgãos da zona ventral, incluindo o aparelho locomotor das trilobites, cuja morfologia, modo de funcionamento e aplicações podem ser conhecidas a partir dos diversos icnofósseis atribuídos a este grupo de organismos”.

Em resultado da tectónica e da erosão fluvial, obtém-se em Penha Garcia uma montra invulgar de grandes lajes com inúmeros icnofósseis. Estes são de tal modo abundantes na região que foram comummente utilizados no passado como matéria-prima para a construção de estradas, muros e carreiros pedonais, como se pode verificar na escadaria de acesso ao castelo e ao longo das veredas que atravessam o magnífico vale do rio Ponsul.

Carapaças abandonadas

No roteiro das trilobites, segue-se o Parque Paleozóico de Valongo, localizado nas imediações do Porto. Este parque, que tem o seu nome associado à era geológica em que se formaram as mais importantes rochas da região, visa precisamente preservar e valorizar o seu património natural e em particular o património paleontológico. Apesar de originalmente terem sido formadas no fundo do mar, as rochas mais antigas de Valongo encontram-se actualmente à superfície, em resultado dos movimentos tectónicos, ostentando importantes jazidas fossilíferas de trilobites e outras formas de vida da Era Paleozóica.

A grande quantidade de fósseis de trilobites que surgem nas jazidas de Valongo corresponde, geralmente, a carapaças abandonadas e posteriormente fossilizadas, e não aos exemplares fósseis do organismo completo. Estas carapaças antigas foram libertadas aquando das mudas sucessivas que permitiram o crescimento dos animais, que entretanto segregavam novas carapaças. Nesta região, principalmente em rochas do Ordovícico, foram assinalados vinte e nove géneros de trilobites, sendo os mais frequentes de Placoparia, Neseuretus, Colpocoryphe, Salterocoryphe, Eodalmanitina, Ectillaenus e Nobiliasaphus, que podem ser admirados na exposição patente ao público no Centro Interpretativo. Destes merecem destaque os dois últimos, por corresponderem a espécies que atingiam frequentemente os 50 centímetros de comprimento.

Finalmente, rumamos à Pedreira do Valério, em Canelas, para findar em beleza este périplo pela rota das trilobites. Curiosamente, as formações geológicas que ocorrem na área enquadram-se na continuidade dos terrenos paleozóicos de Valongo, que se estendem numa estreita faixa de 310 a 425 metros desde Valongo até às proximidades de Castro d’Aire, segundo a direcção NW-SE. Destaca-se, pela sua relevância, o conteúdo paleontológico das ardósias do Ordovícico Médio, onde foram encontradas as maiores trilobites do mundo.

O opúsculo escrito pelo punho de Armando Guedes lembra que “nas rochas negras de Canelas podem ser encontradas uma quinzena de espécies diferentes de trilobites, associadas a graptólitos (pequenos organismos coloniais hoje também extintos), a conchas de braquiópodes, a cefalópodes, etc.”. No Centro de Interpretação Geológica de Canelas, localizado dentro da propriedade da empresa Ardósias Valério & Figueiredo, realizam-se sessões pedagógicas de divulgação científica que dão a conhecer aos visitantes alguns aspectos da vida dessas misteriosas criaturas que aí viveram há 465 milhões de anos. Depois de aguçado o apetite, segue-se um passeio por diversos locais de interesse geológico que culminará com o visitante de martelo na mão (fornecido pela instituição!) a partir pedra, resgatando com entusiasmo os magníficos fósseis de trilobites que se escondem nas ardósias do Ordovícico. Esta é verdadeiramente uma experiência imperdível para qualquer candidato a paleontólogo amador.

Para quem não tenha fôlego para palmilhar montes e vales à cata dos enigmáticos artrópodes marinhos, deixa-se a sugestão de uma visita aos museus paleontológicos que se orgulham de apresentar alguns dos melhores exemplares jamais recolhidos em Portugal. Desde o Museu Geológico de Portugal e o Museu Mineralógico e Geo­lógico, em Lisboa, ao Museu de Mineralogia e Geologia da Universidade de Coimbra e ao Museu de Paleon­to­logia Wenceslau de Lima, no Porto, não faltarão oportunidades para seguir o rasto das trilobites.

J.N.

 

SUPER 150 – Outubro 2010

 

Outro artigo com interesse: https://www.publico.pt/noticias/jornal/trilobites-como-parentes-151376

 

 

e-aulas

Filed under: Apoio ao Estudo,Geologia,Uncategorized — alemdasaulas @ 20:53

http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=396

 

 

Salamandras gigantes do Triássico

Filed under: G_PALEONTOLOGIA — alemdasaulas @ 18:17
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A notícia já é de 2012 mas não deixa de ser interessante!

************************************Questões propostas:

1.- A que Era geológica  pertencem as rochas onde foram encontradas as salamandras gigantes.

2.- Porque podem ser considerados os fósseis encontrados fósseis de fácies.

3.- Como se explica a elevada densidade de fósseis no local explorado.

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Salamandras “monstruosas” com 200 milhões de anos descobertas no Algarve

As salamandras desta espécie eram do tamanho de carros e eram carnívoras.

Uma nova espécie de salamandra do período Triássico foi descoberta no Algarve por uma equipa internacional de paleontólogos. A investigação, publicada na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology, foi liderada pela Universidade de Edimburgo mas contou com a colaboração de outras instituições incluindo a Universidade Nova de Lisboa e o Museu da Lourinhã.

A salamandra viveu há cerca de 200 milhões de anos. Centenas das criaturas terão morrido quando secou o lago que habitavam, que ficava na zona que hoje pertence a Loulé, no Algarve, deixando para trás inúmeros fósseis que estão hoje a ser escavados. O nome do anfíbio homenageia a região onde foi descoberto: Metoposaurus algarvensis.

“A riqueza do local era impressionante”, disse à Sábado um dos paleontólogos envolvidos no projeto, Octávio Mateus. “A jazida tinha uma densidade de vários crânios por metro quadrado”.

As criaturas desta espécie tinham centenas de dentes. São os antepassados das salamandras e de vários anfíbios atuais, mas o seu comportamento seria mais semelhante ao de um crocodilo, visto que eram carnívoras. “Tinha centenas de dentes afiados na sua grande cabeça plana, que era como um assento de sanita quando ficava fechada”, descreveu à BBC um dos responsáveis da investigação, Steven Brusatte da Universidade de Edimburgo.

“Esta descoberta é o exemplo de um achado de uma época da qual conhecemos muito pouco em Portugal, o Triássico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros”, acrescentou Octávio Mateus.

Esta espécie e espécies parecidas de anfíbios gigantes morreram no final do período Triássico, quando a Terra foi abalada por milhares de anos de erupções vulcânicas muito violentas. É comum, portanto, encontrar locais como a escavação de Loulé, onde muitos espécimes podem ser descobertos juntos. As “grandes valas comuns de anfíbios monstruosos” são frequentes no período Triássico, contou Steven Brusatte.

A escavação continua, visto que apenas cerca de quatro metros quadrados foram explorados até agora. No entanto, apenas nesta fração da jazida já foram encontrados dez crânios e centenas de ossadas.

Fonte:

http://www.dn.pt/ciencia/interior/salamandras-monstruosas-com-200-milhoes-de-anos-descobertas-no-algarve-4472521.html

É possível visitar:

 

Metabolismo celular “básico” março 16, 2017

Filed under: BIOLOGIA-10.º Ano,Uncategorized — alemdasaulas @ 14:30
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Abaixo um mapa metabólico resumido das 7.400 reações químicas que ocorrem em cada uma das ±10.000.000.000.000 de células que o corpo humano possui, totalizando 74.000.000.000.000.000 de reações acontecendo o tempo todo ininterruptamente em todas as células!

Foto de Ciência e Astronomia.

 

Imagem original: https://goo.gl/gLsc55

 

Pequena Idade do Gelo março 15, 2017

Fonte: http://www.superinteressante.pt/index.php/historia/artigos/2253-memorias-do-frio

Memórias do frio
altA Pequena Idade do Gelo

Entre os séculos XVI e XIX, a Europa passou por sucessivas vagas de frio que desencadearam crises de fome e revoltas sociais. Segundo alguns especialistas, as oscilações climáticas exercem uma influência decisiva na história.

Os luteranos acreditavam que o frio intenso e as abundantes quedas de neve que afetaram a cidade alemã de Leipzig, em 1562, eram sinal da ira de Deus perante os pecados do homem. A repentina descida da temperatura marcou o início da Pequena Idade do Gelo, um longo período de instabilidade climática com cinco picos de máxima intensidade: 1590, 1650, 1680, 1770 e 1816.

Ao longo do século XVI, os cronistas deixaram registo de chuvas torrenciais que se prolongavam durante semanas e semanas. Os campos acabados de arar transformaram-se em grandes lagos e o trigo que escapou ao arrefecimento tombou por terra sob o peso da água. O resultado foi que o preço do grão subiu em flecha e o pão tornou-se escasso, o que desencadeou motins em muitos lugares do Velho Continente.

Na aldeia alemã de Wiesensteig, mais de cinquenta mulheres foram condenadas à fogueira. Em Inglaterra e França, as execuções atingiram o ponto culminante em 1587 e 1588. “Os 25 anos decorridos entre 1585 e 1610 foram terrivelmente frios e devastadores. Foi nesse período que se produziram as maiores perseguições a bruxas”, afirma o estudioso britânico Brian Fagan. Pintores flamengos da época, como Pieter Brueghel, o Velho, ou Hendrick Avercamp, deixaram-nos quadros de costumes que retratam a atmosfera gélida das cidades holandeses.
água pelo pescoço

As calamidades povoam as crónicas da época. De 11 a 22 de novembro de 1570, as vagas causadas por um vendaval que se deslocou de sudoeste para nordeste sobre o mar do Norte derrubaram diques e outras defesas costeiras nos Países Baixos. Morreram cerca de cem mil pessoas. Os dez anos seguintes foram marcados por terríveis tempestades, como a que fez naufragar um quarto da Invencível Armada, em setembro de 1588. “As condições eram tão duras que se tornava impossível distinguir um navio de outro”, relatou um marinheiro espanhol. De facto, a inclemência revelou-se mais letal para os navios ibéricos do que os ataques ingleses. O temporal foi descrito por um oficial britânico como “uma ventania tremenda, uma tempestade como não se via e ouvia há muito, o que nos alimentou a esperança de que muitos barcos [portugueses e espanhóis] seriam fustigados e lançados contra as costas”.

Todavia, se Filipe II de Espanha (I de Portugal) não conseguiu invadir a Inglaterra por culpa do tempo, os monarcas da dinastia Tudor tiveram de enfrentar vários anos de más colheitas e uma fome que matou milhares de pessoas. Philip Wyot escreveu, em 1596: “Durante todo o mês de maio, não houve um único dia ou uma única noite sem chuva. Chegam poucos cereais ao mercado.” Em 1607, as geadas brutais afetaram a produção vinícola, que se viu drasticamente reduzida na Suíça, na Hungria e na Áustria. Além disso, os rios holandeses gelavam durante o inverno, o que impedia o transporte de mercadorias e o abastecimento das cidades.

O clima influencia, efetivamente, o curso dos acontecimentos humanos. Entre os anos 900 e 1300, produziu-se o chamado “Período Quente Medieval”, com uma temperatura média que ultrapassava a atual em um a dois graus. Os cientistas designam a época por “Pequeno Ótimo Climático”, por ter coincidido com um dos maiores períodos de prosperidade humana. O clima ameno facilitou a secagem de pântanos, o que reduziu a presença de mosquitos e os casos de malária. O florescimento das artes e da arquitetura materializou-se na construção de imponentes catedrais, como a de Notre Dame, em Paris, cuja primeira pedra foi colocada pelo papa Alexandre III, em 1163.

Além disso, sabe-se que milhares de agricultores da Baixa Idade Média amanharam campos em sítios onde, agora, é praticamente impossível qualquer cultivo. Na Suíça, os camponeses também conseguiram semear zonas montanhosas. Porém, com a chegada da Pequena Idade do Gelo, as terras altas tornaram-se uma armadilha.

Os intervalos de mau tempo prosseguiram durante os séculos XVII, XVIII e princípio do século XIX. Em Espanha, surgiram massas de gelo em zonas geográficas onde hoje nem sequer neva. O investigador José Quereda Sala recorda que o rio Ebro, por exemplo, ficou várias vezes gelado durante aquele ciclo. As bruscas oscilações provocaram descidas de um e dois graus em algumas zonas do hemisfério norte. Embora não pareça muito, foi suficiente para transtornar a vida de milhões de pessoas.

Poder-se-ia dizer, então, que as vagas de frio alteraram o curso da história? Muitos historiadores negam a hipótese, mas há outros que não ignoram a sua importância. As anomalias climáticas de curta duração, características daqueles dois séculos e meio, constituíram uma fonte de tensões nas sociedades do norte da Europa.

David D. Zhang, investigador da Universidade de Hong Kong, assinala que uma súbita descida das temperaturas pode conduzir a guerras e conflitos sociais. “A causa direta costuma ser a subida do preço dos cereais, sempre desencadeada por más colheitas e, frequentemente, por uma variação repentina do estado do tempo.” Foi precisamente o que aconteceu em 13 de julho de 1788, em França, dando origem a uma tremenda queda de granizo sobre Paris. Os cronistas afirmaram que algumas pedras de gelo chegavam a alcançar 40 centímetros de diâmetro.

A inesperada tempestade destruiu totalmente as colheitas e deitou abaixo cerca de quatrocentas casas de campo. As autoridades não souberam reagir à devastação e, um ano depois, uma fogaça de pão custava um preço tão exorbitante que provocou motins. O clima não foi a principal razão para a Revolução Francesa, mas a miséria e a fome intensificaram a fragilidade social que iria conduzir aos acontecimentos de 1789.

altUm fino véu de cinzas

O que teria provocado essa brusca descida da temperatura? Embora não haja consenso, alguns climatólogos respondem que uma das causas pode ter sido a agitação solar associada às manchas do astro-rei. Possivelmente, também teve influência o aumento da atividade vulcânica, cujas erupções cobriram com um fino véu de cinza as camadas altas da atmosfera.

Entre 16 de fevereiro e 5 de março do ano 1600, registou-se a erupção do vulcão Huaynaputina, na cordilheira dos Andes (Peru), o qual lançou uma chuva impressionante de pedras e cinzas. O verão de 1601 foi o mais frio de que havia memória desde 1400 e conta-se entre os mais gélidos dos últimos 1600 anos nos países escandinavos. Na Europa Central, o Sol e a Lua exibiam uma cor avermelhada, a sua luz mal se via e quase não brilhavam, como foi descrito por algumas testemunhas.

Uma parte do fino pó vítreo cuspido pelo Huaynaputina foi depositar-se nos gelos da Antártida: os climatólogos encontraram vestígios nos estratos que correspondem ao perío­do 1599–1604. Os elevados níveis de sulfato que descobriram indicam que a quantidade de sedimento que lançou na estratosfera duplicou a do filipino Pinatubo, que explodiu em junho de 1991.

A erupção do Huaynaputina não foi exceção. O planeta sofreu picos de frio relacionados com a atividade vulcânica nos anos 1641–1643, 1666–1669, 1675 e 1698–1699. Os cientistas desconhecem a que erupções se deveram, exceto a do monte Parker, também nas Filipinas, um vulcão que despertou a 4 de janeiro de 1641. Nas palavras daqueles que assistiram ao fenómeno, ao meio-dia parecia noite fechada.

Um verão horroroso

Outra das grandes erupções dos últimos tempos ocorreu em 19 de abril de 1815 na ilha indonésia de Sumbawa, a leste de Java, a qual foi sacudida pela explosão do Tambora. O cone superior do vulcão foi projetado na atmosfera na forma de lava e cinzas, o que escureceu o céu num raio de 500 quilómetros. Pelo menos 12 mil pessoas morreram como consequência direta da erupção, e outras 44 mil sucumbiram à fome nas ilhas vizinhas.

As consequências fizeram-se sentir em todo o mundo: 1816 foi batizado como “o ano sem verão”. As baixas temperaturas foram acompanhadas por chuvas intensas na Europa Central e Ocidental durante os meses cruciais para o desenvolvimento dos cultivos. Os habitantes de Taranto, no sul de Itália, observaram flocos de neve vermelhos e amarelos a cair do céu.

Em junho de 1816, Mary Shelley, o seu marido, Percy Bysshe Shelley, e outros amigos foram visitar o poeta lord Byron e o seu médico pessoal, John William Polidori, que tinham arrendado uma moradia nas margens do lago Léman, na Suíça. Foi um verão tão frio que o grupo passou grande parte do tempo dentro de casa. A fim de se entreterem, conceberam uma espécie de concurso para ver quem escrevia a narrativa mais aterrorizadora. Mary Shelley imaginou a história de Frankenstein e Polidori escreveu O Vampiro, texto que inspirou diversas narrativas de mortos-vivos, como o lendário Drácula, de Bram Stoker.

Na Europa, que ainda estava a recuperar das guerras napoleónicas, os motins suscitados pela escassez de pão e outros alimentos reapareceram com uma violência inusitada. A crise durou vários anos e deu origem a um êxodo maciço em algumas nações: milhares de ingleses e de alemães da Renânia partiram para os Estados Unidos. Um estudo sobre o fenómeno na península Ibérica cita o testemunho de um certo José Manuel da Silva Tedim, habitante de Braga que registou desta forma o invulgar comportamento da meteorologia em julho de 1816: “Tenho 78 anos e nunca vi tanta chuva e tanto frio, nem mesmo em meses de inverno.” Em Espanha, nevou em julho…

F.C.

SUPER 175 – Novembro 2012

 

Deslizamento(s) março 10, 2017

Deslizamento de terra por descongelamento do permafrost

(partilhado no FB pela Prof.ª Brígida Monteiro)

 

 

Pergelissolo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Zona do Permafrost, no Ártico

Cunha de gelo.

Polígonos no permafrost

O permafrost ou pergelissolo (em português) é o tipo de solo encontrado na região do Ártico.

É constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados (do inglês perma = permanente, e frost = congelado, ou seja: solo permanentemente congelado). Esta camada é recoberta por uma camada de gelo e neve que, se no inverno chega a atingir 300 metros de profundidade em alguns locais, ao derreter-se no verão, reduz-se para de 0,5 a 2 metros, tornando a superfície do solo pantanosa, uma vez que as águas não são absorvidas pelo solo congelado.

Recomenda-se cuidado ao erigir edificações ou pavimentação neste tipo de solo, uma vez que, se a camada de permafrost for rompida, a edificação ou a pista pavimentada pode afundar no terreno.

 

Reciclagem- vidro e sílica (areia)

Divulgado pelo Prof. Rui Soares no FB