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Por que é que há tantos sismos no México (e tão fortes)? outubro 9, 2017

FONTE: https://www.publico.pt/2017/10/09/ciencia/noticia/por-que-e-que-o-mexico-tem-tantos-sismos-e-tao-fortes-1787998

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Placas tectónicas acumularam tensão e romperam-se. Esta é uma explicação (simplificada) para os sismos de Setembro no México e que causaram a morte a centenas de pessoas e deixaram outras tantas desalojadas.

A destruição deixada na Cidade do México pelos sismos de Setembro últimoFoto
A destruição deixada na Cidade do México pelos sismos de Setembro último JOSÉ MÉNDEZ/EPA
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O México foi atingido por dois tremores de terra fortes só no último mês. Primeiro, a 8 de Setembro com um sismo de magnitude 8,2 graus na escala de Richter e epicentro na costa do Pacífico. Depois, a 19 de Setembro houve outro de 7,1 graus de magnitude e epicentro a pouco mais de 100 quilómetros da Cidade do México, a capital do país. Pelo caminho, ainda se registaram outros de menor magnitude e milhares de réplicas. Juntando todos estes sismos, morreram mais de 400 pessoas, a maioria na Cidade do México, e há milhares de desalojados e edifícios destruídos. O Governo do México estima que sejam necessários 1,8 milhões de euros (38 mil milhões de pesos) para reconstruir casas, escolas e edifícios históricos. Afinal, por que é que há tantos sismos e tão fortes no México?

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“O México é um país que muito facilmente tem sismos grandes”, começa por dizer o geólogo Rui Dias, da Universidade de Évora, do Instituto de Ciências da Terra e director-executivo do Centro Ciência Viva de Estremoz. E para se perceber porquê temos de ir até ao oceano Pacífico a nível geológico, mais exactamente até à crosta oceânica.

A Terra tem várias placas tectónicas. Entre elas, há uma muito grande que é a Placa do Pacífico, formada por crosta oceânica e que abrange quase todo o oceano Pacífico. E há a Placa de Cocos, muito mais pequena, composta por basalto e que há milhões de anos está a mergulhar em profundidade por baixo da parte continental da América Central, onde se situa o México (na Placa Norte-Americana). É aqui que encontramos uma zona de subducção, onde uma das placas tectónicas (a Placa de Cocos) se está a enfiar por baixo de outra placa (a Placa Norte-Americana).

E é daqui que surgem os sismos no México. Ora, a Placa de Cocos tem por cima a placa continental onde se encontra o México. “E que é extremamente pesada, faz imenso peso sobre a placa que está a mergulhar e aumenta o atrito entre as placas: a [placa] oceânica que mergulha e a continental que está por cima”, diz o geólogo. “Não é fácil deslizar. Se fosse fácil, nunca havia sismos.” Isto porque o enorme atrito entre a placa que desce (a de Cocos) e a que fica por cima (a Norte-Americana) também vai travando esse processo, ficando a primeira impedida de continuar. A tensão vai-se acumulando e há um momento em que essa tensão acumulada é superior ao atrito e uma parte da placa rompe-se repentinamente e é então que há um sismo.

PÚBLICO – Aumentar
Rui Dias exemplifica com a metáfora de uma escada rolante. “O sismo na zona de subducção é como se fosse uma escada que está a descer.” É como se colocássemos um ferro nos degraus dessa escada e não lhe desligássemos o motor. A escada vai acumulando tensão e há uma altura em que o ferro se parte. Dá um solavanco (o sismo) e começa a descer de novo.

Foi isto que aconteceu no sismo de 8 de Setembro último (no México ainda era 7 de Setembro), no segundo e em muitos outros nesta zona. Periodicamente, há solavancos na placa e liberta-se energia só nessa zona da placa. “É aquilo que é perfeitamente normal em todos os sismos”, refere o geólogo. O sismo de 8 de Setembro, embora tenha sido mais forte, ocorreu mais longe da Cidade do México e o epicentro foi no mar. Provocou a morte a quase 100 pessoas. Já o epicentro do sismo de 19 de Setembro foi em terra e mais perto da Cidade do México. Matou mais de 300 pessoas.

Há alguma ligação de causa-efeito entre os dois sismos mais fortes? “Os especialistas dizem que não tem nada a ver uma coisa com a outra”, responde Rui Dias. O geólogo também diz que a energia do segundo sismo não foi influenciada pela do primeiro. “A energia que é libertada no primeiro sismo, a 500 quilómetros de distância, criou uma tensão que não é suficiente para romper [a placa no local de origem do segundo sismo]. São dois fenómenos independentes, tal como houve mais sismos todos à volta nessas duas ou três semanas de Setembro.”

Também há 32 anos, precisamente a 19 de Setembro, houve um sismo de magnitude 8 gerado a 15 quilómetros de profundidade (os dois mais fortes de Setembro último tiveram uma profundidade superior a 50 quilómetros). Aconteceu nesse sismo de 1985 o mesmo fenómeno, mas foi menos profundo e os seus efeitos foram maiores. Provocou mais de dez mil mortos e muitos estragos.

O México não é o único país onde os tremores de terra são muito frequentes. Há outros como o Japão, a Indonésia e o Chile, salienta o geólogo. “Ao contrário de todos os outros oceanos da Terra, o fundo do Pacífico está a mergulhar debaixo dos continentes que estão à volta”, explica. Relativamente à frequência dos sismos, Rui Dias refere que há cerca de 15 sismos de magnitude entre 7 e 7,4 por ano (como de 19 de Setembro no México) em todo o planeta. Já de magnitude entre 8,1 e 8,5 há uma média de 1,1 sismos por ano (como o de 8 de Setembro). Este ano houve mais de quatro mil sismos de magnitude 4,4 ou mais, segundo os Serviços Geológicos dos Estados Unidos. No mesmo período em 2016 e 2015, houve cerca de cinco mil, e em 2014 cerca de seis mil.

E por que são tão fortes? Porque acontecem nas zonas de subducção. Se ocorressem nas zonas de rifte (onde as placas se afastam uma em relação à outra), seriam mais fracos. É o caso da Islândia. Até agora, o sismo mais forte que se registou na Terra foi no Chile a 22 de Maio de 1960, com uma magnitude de 9,5, segundo um ranking dos Serviços Geológicos dos Estados Unidos. O México não está no Top 10, ao contrário de Portugal, que está no sexto lugar com o sismo de 1 de Novembro de 1755. A magnitude estimada do sismo de 1755 foi de 8,7, de acordo com um estudo de 2005 de investigadores do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa.

“A situação de Portugal é muito complexa”, avisa logo Rui Dias. E há imensas discussões sobre a génese dos sismos no país. Isto porque há a falha Açores-Gibraltar, que é essencialmente lateral, e que separa dois pedaços da crosta oceânica do Atlântico (que desliza uma ao lado da outra). E depois há também estudos que indicam que no oceano Atlântico terá começado uma zona de subducção. “O Atlântico até agora era calmo e ia abrindo no meio e ia-se afastando. São as chamadas ‘zonas passivas’ em que não há movimento, portanto não há [praticamente] sismos”, acrescenta.

Como um “pudim”
“É evidente que vai haver outros sismos [no México]. Mas o sistema é demasiado complexo para se conseguir saber exactamente onde é que um sismo vai acontecer. O que às vezes existe são zonas de falhas que não se rompem há muito tempo”, diz. O geofísico Vlad Manea, da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), não ficou totalmente surpreendido quando soube do primeiro sismo. Afinal, é um dos poucos investigadores que estudam a actividade sísmica desta região e sabia que já não havia um “acontecimento importante” na zona há muito tempo, disse à revista Science.

Para que se possam estudar terramotos semelhantes aos dos México, os cientistas já estão a fornecer dados do sismo de 8 de Setembro a investigadores de todo o mundo, disse à Science o sismólogo Vladimir Kostoglodov, também da UNAM. “Vale a pena concentrar todos os esforços para aprendermos com o que se está a passar. Isto pode ocorrer noutras zonas de subducção [no mundo].”

Rui Dias dá ainda o exemplo de Istambul, na Turquia, como um sítio onde vai existir um grande sismo. “Vai haver um sismo enorme em breve e que vai destruir Istambul.” Isto porque a falha Norte da Anatólia está a romper-se, aproximando-se cada vez mais de Istambul.

Em relação aos sismos que aconteceram em 2017, o geólogo português diz que está a ser “um ano normal”, em que há centenas ou milhares de sismos. “Se a Cidade do México não tivesse sido construída em cima de um pudim de gelatina, ninguém ligava”, adianta. Além da situação geológica do país, Rui Dias destaca a “situação muito especial” da Cidade do México. Quando os espanhóis chegaram há uns séculos a Tenochtitlan, a capital dos astecas, esta estava numa ilha no meio de um lago. A cidade começou a expandir-se e, ao longo do tempo, foi-se drenando a água e secando o lago. “A Cidade do México não está em cima de uma rocha consolidada com muitos milhões de anos, não é como as rochas sedimentares normais.” Se esta cidade fosse um pudim em cima de uma mesa, se lhe déssemos um murro, esse pudim iria tremer. “Os materiais mais leves aumentam o movimento do solo”, explicou à BBC a sismóloga Susanne Sergeant, dos Serviços Geológicos Britânicos.

Rui Dias também realça que, se os edifícios cumprissem certas normas, “cairiam menos”. “As construções más e mais antigas causam muito mais estragos.” Também Christian Malaga-Chuquitaype, engenheiro do Imperial College de Londres, referiu à BBC: “Se os edifícios tivessem mais paredes estruturantes seriam mais resistentes.” E foi isso que se pensou no grande sismo de há 32 anos, que destruiu milhares de edifícios. Um ano depois, criou-se uma lei que referia que os arquitectos e construtoras civis deveriam ter em conta o “solo mau” da capital e as autoridades deveriam inspeccionar a construção dos edifícios, lembra a BBC. Contudo, não é claro se os novos regulamentos foram cumpridos, pois o inventário dos edifícios é actualizado com pouca frequência e alguns são anteriores a 1985.

Mesmo assim, o geólogo português salienta que a construção dos edifícios não é tudo. E exemplifica com a cidade de Kobe, no Japão, que sofreu um sismo forte nos anos 90 e as suas construções cumpriam as normas. “Provocou imensa destruição.”

“[O México] é um sítio que não devia ser para se viver”, diz de forma hiperbólica Rui Dias. “As cidades são povoações que normalmente foram fundadas por razões de água, solos ou topografia – entre outros factores – e que nunca tiveram em consideração os riscos geológicos. É muito raro haver cidades grandes fundadas de raiz, como é o caso de Brasília.”

E dá um exemplo: “Se eu chegasse numa nave espacial e se fosse distribuir as populações da Terra pelas zonas em que deveriam viver, não punha pessoas numa série de zonas.” É o caso do Japão, onde periodicamente há sismos grandes; da Holanda, que está abaixo do nível do mar; ou não ia fazer uma capital onde está a Cidade do México. “Só que há razões históricas, era ali a capital dos astecas. E, na altura, ninguém sabia muito bem o que eram sismos e quais eram as suas causas.”

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Tsunami e terramoto de 1755 outubro 5, 2017

Um artigo que se reporta a uma conferência internacional que ocorreu na Universidade de Lisboa sobre estas temáticas.
Se conseguir as comunicações atualizo esta publicação mais tarde, incluíndo-as.
https://www.rtp.pt/noticias/ciencias/analise-ao-tsunami-de-1755-para-evitar-o-pior-num-futuro-possivel_n1024587

 

Alguém que estava a sonhar nas aulas! ;) outubro 2, 2017

Descobre o que está certo! 😉

 

Simulação de um tsunami maio 23, 2017

Filed under: G- SISMOLOGIA,G-Tectónica Global,Geologia 10.º,Uncategorized — alemdasaulas @ 21:36
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Novo Continete fevereiro 19, 2017

Fonte:

http://zap.aeiou.pt/confirmado-terra-um-novo-continente-chamado-zelandia-149486

 

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Um novo estudo da crosta terrestre defende que há um sétimo continente chamado “Zelândia”, que esteve escondido debaixo dos nossos narizes durante milénios.

Quantos continentes existem no mundo? A resposta a esta pergunta é complicada. Se nos referirmos a continentes físicos, podem ser apenas 4: América, Eurafrásia, Austrália e Antártida.

Se falarmos de continentes políticos, são normalmente 6: América, Europa, Ásia, África, Oceânia e Antártida. Em alguns casos, a América do Sul e a do Norte são considerados dois continentes diferentes, embora sejam frequentemente categorizados como subcontinentes da América.

Os geólogos que prestam atenção ao solo e não ao que pensam os seres humanos, agrupam a Europa e a Ásia como um supercontinente – Eurásia -, o que totaliza 6 continentes geológicos.

As coisas podem ficar ainda mais complicadas com os resultados de um novo estudo da crosta terrestre, na qual os cientistas afirmam que há um sétimo continente chamado “Zelândia”.

Os autores do estudo argumentam que Nova Zelândia e Nova Caledónia não são apenas um conjunto de ilhas. Em vez disso, esses pedaços de terra fazem parte de uma única placa de 4,9 milhões de quilómetros quadrados de crosta continental, distinta da Austrália.

“Esta não é uma descoberta súbita, mas uma realização gradual, já que há 10 anos não teríamos os dados acumulados ou confiança na interpretação para escrever este artigo”, afirmam os cientistas num artigo publicado na revista GSA Today, da Geological Society of America.

Continente: Zelândia

Segundo o geofísico Bruce Luyendyk, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos EUA, que não esteve envolvido no estudo, os especialistas que estão a propor a nova divisão são grandes mentes que reuniram um conjunto sólido de provas. Outros geólogos devem aceitar as suas conclusões.

O conceito de Zelândia não é novo. Na verdade, Luyendyk criou a palavra em 1995. Nessa altura, o especialista não pretendia descrever um continente novo, mas sim falar da Nova Zelândia e Nova Caledónia como um conjunto de peças submersas e fatias de crosta que se separaram de uma região de Gondwana, um supercontinente que existiu há 200 milhões de anos.

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Os cientistas por trás examinaram várias provas conhecidas tendo em conta quatro critérios que os geólogos usam para considerar um pedaço de rocha um continente:

  • Terra que sobe a uma altura relativamente grande do fundo do oceano;
  • Diversidade de três tipos de rochas: ígneas (vomitadas pelos vulcões), metamórficas (alteradas pelo calor/pressão) e sedimentares (criadas pela erosão);
  • Secção de crosta mais espessa e menos densa em comparação com o fundo oceânico circundante;
  • Limites bem definidos em torno de uma área suficientemente grande para ser considerada um continente, em vez de um micro continente ou fragmento continental.

Nas últimas décadas, os geólogos já tinham determinado que a Nova Zelândia e a Nova Caledónia cumpriam os critérios 1, 2 e 3 – afinal de contas, são grandes ilhas que se afastam do fundo do mar, são geologicamente diversas e feitas de uma crosta mais espessa e menos densa.

O último critério da lista – o facto de ser “é suficientemente grande e unificado para ser considerado um continente?” – foi um factor que vários especialistas ignoraram no passado.

Isso porque a Zelândia parece ser toda fragmentada. Mas o novo estudo usou mapas de elevação e gravidade recentes e detalhados para mostrar que, de facto, faz parte de uma região unificada.

Os dados também sugerem que a Zelândia abrange “aproximadamente a área da Índia maior”, ou seja, é maior que Madagáscar, Nova Guiné, Gronelândia e outros micro continentes e províncias.

Os autores do estudo apontam que, embora a Índia seja grande o suficiente para ser um continente – e provavelmente já foi um – agora faz parte da Eurásia, porque colidiu com esse continente há milhões de anos.

A Zelândia, entretanto, ainda não se uniu à Austrália. Um pedaço de fundo do mar chamado “Cato Trough” ainda separa os dois continentes em 25 quilómetros.

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A Zelândia é dividida em segmentos norte e sul por duas placas tectónicas: a Placa Australiana e a Placa do Pacífico. Essa divisão torna a região mais parecida com vários fragmentos continentais do que com uma terra unificada.

Mas os cientistas apontam que a Arábia, a Índia e partes da América Central têm divisões semelhantes, e ainda são consideradas partes de continentes maiores.

Além disso, os especialistas afirmam que as amostras de rochas sugerem que a Zelândia é feita da mesma crosta continental que fazia parte de Gondwana, e que migrou de forma semelhante aos continentes da Antártica e Oceânia.

Os dados de satélite também confirmam que a Zelândia não é fragmentada como uma coleção de micro continentes, mas sim unificada. As placas tectónicas têm afinado, esticado e “afundado” a Zelândia ao longo de milhões de anos.

Hoje, apenas cerca de 5% do continente é visível como as ilhas da Nova Zelândia e Nova Caledónia – parte da razão pela qual os cientistas demoraram tanto para descobrir que se tratava de uma única região.

Consequências

Mas, será que a Zelândia vai ser aceite como um novo continente, ou esta conclusão não vai passar de uma curiosidade científica? Luyendyk acredita que a nova distinção eventualmente terá consequências maiores.

“As implicações económicas são claras: o que é que faz parte da Nova Zelândia e o que é que não faz parte da Nova Zelândia? De facto, os acordos das Nações Unidas fazem menções específicas de fronteiras continentais como limites que determinam onde é que os recursos podem ser extraídos – e a Nova Zelândia pode ter dezenas de milhões de dólares de combustíveis fósseis e minerais nas suas praias”, afirma.

ZAP // HypeScience

 

 

Impactes da “deriva continental” outubro 28, 2016

 

Tectónica Global setembro 21, 2016

Filed under: G-Tectónica Global,Geologia,Vídeos — alemdasaulas @ 18:11